Na verdade o Rui Silva não foi condenado por corrupção porque confessou ter recebido um fio de ouro que a PJ encontrou numa busca a sua casa, daí o Conselho de Disciplina não o ter condenado por corrupção, mas apenas por omissão do facto no relatório.
Na verdade este CD se tivesse vergonha e seriedade nas decisões que tomou em todo este processo, não teria punido o Rui, nem outros pela omissão, e muito menos teria punido outros que nada receberam e não tiveram sequer qualquer busca da PJ e o CD resolveu punir a seu belo prazer dançando a música consuante os músicos, e muitos menos absolver um Árbitro quando no jogo em questão Leça 0 Gondomar 1, diz o Conselho de Disciplina que EXISTIU CORRUPÇÃO DA EQUIPA DE ARBITRAGEM NA FORMA CONSUMADA, sendo o clube, Gondomar, desclassificado e punido com uma multa de 6000 € e o seu Presidente apanhou uns valentes meses de castigo, então e o Árbitro ?
Na verdade este processo só serviu para punir severamente e desonestamente 70% daqueles que na verdade não deviam ser punidos e veja-se de tantos arguídos da 1ª Liga que inicialmente apareceram, apenas o Rui foi punido, porquê ? Eu respondo, porque disse que o Benfica, clube do Presidente do CD, tambem oferecia lembranças, daí o seu castigo, e cadê os outros?
Para terminar, porque é que aqueles que confessaram que receberam 3 e 4 lembranças e tiraram proveito disso, porque ficaram com elas, foram apenas punidos pelo CD por FALSIFICAÇÃO DO RELATÓRIO, e aqueles que nada receberam e que o Gondomar até perdeu os jogos foram punidos e de que forma pelo CD.
O castigo INJUSTO para alguns foi de mais de 40 meses, mas para quem julgou este vai ser de mais de 80 anos de peso na conciência que não têm, mas que os seus terão de pagar.
Rui Silva

"Preferia dizer que fui, sem sombra de dúvida, uma vítima inocente em todo este processo."
1- Quem é o Rui Silva!? Como entrou no mundo da arbitragem!?
Rui Silva, economista/professor, residente na cidade de Vila Real, Árbitro desde 1995-1996.
Comecei na arbitragem porque já no ciclo preparatório e no secundário gostava de arbitrar os torneios inter-turmas, aliás tinha as faltas justificadas pelo conselho directivo no sentido de poder arbitrar todos os jogos do torneio. Adorava fazê-lo e não era por querer fazer gazeta às aulas. (risos) .Depois surgiu o convite de um cunhado para tirar o curso de árbitro dando-se inicio à aventura como árbitro federado. Estive 4 anos no distrital, 2 anos na 3ª categoria, 3 anos na 2ª categoria, 3 anos na primeira categoria. A arbitragem foi desde sempre uma grande paixão, um vício, algo que sempre sonhei fazer.
2- Falando da arbitragem que toda a gente fala (1ª liga), como avalia os actuais árbitros!? A profissionalização e um caminho inevitável ou evitável?
Temos um excelente leque de árbitros e árbitros assistentes com categoria e personalidade para enfrentar qualquer jogo nacional e internacional.
A profissionalização, na minha opinião, nem é um caminho inevitável ou evitável é sim, o único caminho que a arbitragem pode seguir se pretender evoluir e fazer face à constante evolução do futebol nacional e internacional.
Não vejo outro caminho a seguir pois este é de preponderante importância.
3- As actuais formas e regras de subida de categoria são as mais indicadas!? Ou deveriam ser alteradas?
Concordo com as regras existentes quer na FPF quer na LPFP no entanto julgo que é sempre fundamental mudar-se desde que seja para melhor. Desde que seja para que os melhores árbitros consigam chegar ao mais alto nível da arbitragem.
O mais importante em qualquer actividade profissional é que se possa premiar o mérito e o esforço que cada um disponibiliza no sentido de alcançar um determinado objectivo.
4- Jorge Sousa foi actualmente considerado pelo 2º ano consecutivo não só pela classificação da FPF mas também por vários meios de comunicação social. Qual a sua opinião sobre este árbitro? E sobre Bertino Miranda (melhor árbitro assistente)? Para si qual o melhor árbitro da época transacta?
O Jorge Sousa é um árbitro com uma personalidade muito forte e com métodos de trabalho muito eficazes e profissionais. É muito forte técnica, disciplinar, física e mentalmente. Tem todas as condições para ser um árbitro de Elite.
Fico muito contente por ser considerado um dos melhores árbitros portugueses pois ele merece e é um dos árbitros com os quais eu aprendi muito ao longo da minha carreira.
Conheço-o quase desde o inicio da sua carreira como árbitro da 1ª Liga e sempre me pareceu ser um dos árbitros portugueses com maior futuro na arbitragem portuguesa. Cheguei a convidá-lo para assistir aos meus jogos na 2ª e 3ª categoria, no sentido de me corrigir e ensinar.
No entanto temos outros árbitros com elevada categoria quer internacionais quer não internacionais.
Sobre o Bertino Miranda digo-lhe que tive muita honra em tê-lo como meu AA na minha estreia na 1ª Liga e posteriormente em outros jogos. Para mim é sem dúvida um dos melhores.
5- Vítor Pereira, foi ao longo da época passada, bastante contestado! Como avalia o seu trabalho?
É sem qualquer dúvida a pessoa certa no lugar certo. Foi um árbitro de inestimável valor, um dos melhores portugueses de sempre, portanto o futebol em geral e a arbitragem em particular só tem a agradecer a sua presença como presidente da arbitragem da LPFP.
Quanto às contestações: contestados sempre fomos e seremos pois exercemos uma actividade muito difícil e portanto passível de ser criticada.
6- A sua opinião sincera: acha que a liga precisava de sangue novo ou os árbitros que lá estão, fazem um bom trabalho?
Nos três anos que estive no mais alto nível da arbitragem portuguesa considerei sempre que o grupo era muito forte e com grande categoria. Foi o grupo mais forte que encontrei em 13 anos de arbitragem.
Os mais “velhos” tem muita experiência que deve ser aproveitada pelos mais novos. Ter vontade de aprender com quem sabe mais é uma grande virtude que nenhum árbitro jovem deve descurar.
É importante para todos que haja sangue novo mas não podemos desperdiçar a importância de, neste grupo, estarem árbitros mais experientes, com muito valor, e conhecedores do nosso futebol.
7- Viu-se envolvido num caso de suposta ‘corrupção’ e por isso encontra-se suspenso. Que comentário faz a toda esta situação?
Sabia que me iam colocar esta questão e portanto sem rodeios, pois não tenho que me envergonhar de nada, posso expor resumidamente toda a situação e com toda a sinceridade.
Nunca fui envolvido em qualquer caso de corrupção. Isso seria uma vergonha para mim e para tudo aquilo que represento como cidadão. Nunca fui acusado de corrupção por nenhum organismo desportivo ou cível.
Para que todos saibam eu não fui condenado pelo Conselho de Disciplina da FPF por Corrupção mas sim por Falsificação de Relatório.
Imputaram-me falsificação por eu não ter escrito no relatório do jogo Gondomar-Braga B da 2ª divisão B em 2003-2004, que tinha recebido um fio em ouro no valor de 118€. Este valor foi peritado pela PJ, pois eu fiz questão de o entregar para que ele fosse avaliado.
Honestamente, fiz novo jogo em Gondomar e deram-me outro fio, que imediatamente recusei por considerar excessivo.
Quando fui interrogado na PJ disse logo imediatamente que me tinham dado um fio num jogo e eu aceitei e que em outro jogo recusei.
Por ter aceitado 1 fio e não ter escrito no relatório fui condenado a 12 meses de suspensão e por ter recusado um fio num segundo jogo e não ter escrito no relatório que o recusei fui condenado a 8 meses. Num total de 20 meses, que obviamente recorri para o CJ.
Disse sempre a verdade e não me arrependo porque sempre fui honesto na vida e na arbitragem e continuarei sempre a ser.
Todos os árbitros da LPFP assinaram um abaixo assinado em que também admitiram que quando arbitraram o Gondomar este clube lhes ofereceu artefactos em ouro e nunca o mencionaram no relatório. Aliás, tal obrigação só foi imposta pela FPF num comunicado que saiu 3 dias antes das decisões do conselho de disciplina. Até aquela data nunca a FPF exigiu que fossem mencionadas as lembranças recebidas no relatório de jogo.
A própria UEFA permite que se recebam lembranças sem obrigatoriedade de escrever no relatório desde que não ultrapassem os 150 euros ou 200 Francos Suíços.
Fui um dos poucos árbitros investigados que não tem qualquer escuta no âmbito do processo apito dourado, ou seja, nunca prometi nada a ninguém, nunca falei com nenhum dirigente por telefone, etc. …
Quem não acreditar posso facultar-lhe o processo.
8- Quando recorreu para o CJ da FPF pensava que iria ganhar o recurso? Acha as justificações dadas pelos conselheiros válidas para indeferirem o recurso!?
Nunca me passou pela cabeça perder este processo e estive sempre confiante que a justiça seria reposta mais cedo ou mais tarde.
Tive um comportamento irrepreensível ao longo deste processo, nunca falei para a Comunicação Social, nunca critiquei qualquer instituição que me condenou. Fui sempre correcto, fui aceitando as decisões que iam sendo tomadas e, naturalmente, fui recorrendo.
Guardo no meu coração a minha opinião sobre as justificações dadas pelo CJ. Não sou pessoa de colocar nenhuma pessoal ou instituição em causa.
Os conselheiros do CJ que me indeferiram o processo merecem todo o meu respeito e consideração.
9- Na sua opinião é um bode expiatório?
Preferia dizer que fui, sem sombra de dúvida, uma vítima inocente em todo este processo.
Estou muito desiludido com tudo o que aconteceu e garanto-lhe que ninguém da arbitragem estava a contar que eu fosse punido. Mas sou um árbitro e um homem de garra. Treinei sempre todos os dias ao longo deste processo como se estivesse a arbitrar ao fim-de-semana. Sentia que tinha de honrar o 8º lugar que havia conseguido na classificação de 2007-2008.
Trabalhei, estudei, colaborei com a Comissão de Arbitragem da Liga na construção de uma base de dados de perguntas e respostas. Sinto que não fiz nada para que isto acontecesse e tenho que enaltecer e agradecer publicamente a todos os árbitros de primeira categoria por terem sido inexcedíveis por tudo o que fizeram por mim.
10- Pensa algum dia voltar à arbitragem!? Com a mesma motivação!?
O meu estado de espírito é de revolta, profunda mágoa, tristeza, de consternação pelo que ocorreu, mas, atenção, quero voltar a escalar a pirâmide da arbitragem.
Contando que vou continuar a sentir paixão, o meu grande objectivo é voltar à 1ª categoria. Para já continuo a treinar todos os dias e a preparar-me para o meu regresso em Fevereiro de 2010 que é quando termina a suspensão.
Arbitrar na 2ª categoria é uma honra tão grande como na LPFP, porque eu adoro arbitrar desde o jogo distrital ao jogo da 1ª liga.
Quando voltar a entrar num campo de futebol para arbitrar terei a consciência completamente tranquila de que nunca fiz nada de ilícito dentro de um campo de futebol.
Sempre fui honesto e não me desviarei desse caminho.
Entrevista a Rui Silva
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Um árbitro não deve aceitar nada....excepção da tradicional sande ou sumo no balneário...
Agora é injusto ser ele apenas o condenado quando outros também admitiram que receberam os fios de ouro...
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